Zelmo Denari
Chegamos em Roma no dia 22, de outubro de 1983. Nossos amigos – professor Franco Gallo e esposa – nos esperavam no aeroporto e nos levaram para sua casa, onde jantarmos e conversarmos. Emprestaram-nos um apartamento pequeno no centro de Roma, na Via Del Corso 504 entre a piazza del Popolo e a piazza Venezia. Passeamos o dia todo e jantamos a noite num restaurante.
Na quarta-feira, Paolla e Franco nos ofereceram uma festa para apresentar seus amigos e professores ao Zelmo. Foram à homenagem cerca de 30 pessoas e o jantar requintado estava esplêndido. O Zelmo me confidenciou que nunca se sentiu tão prestigiado!
Na sexta-feira, de manhã, viajamos para Capri. Ficamos hospedados no Hotel Florida, muito bom. Capri é um sonho, principalmente agora que a conhecemos bem. Sua pequena praça parece cenário de teatro, pois as casas são interligadas em dois andares e as ruazinhas são estreitas, muito compridas e sinuosas. Ao chegar a Capri, precisamos tomar um funicolar que nos levou à pracinha central e daí para os hotéis.
Em Capri conhecemos a Marina Piccola, uma praia minúscula, onde se encontram os famosos Faraglioni di Capri, ou seja, três blocos maravilhosos de pedra saindo do mar a poucos metros da costa e que aparecem em todos os cartões postais da cidade. Ao lado dessa praia tem uma ponta de pedras sobre o mar onde fizeram, apropriadamente, espaços para tomar sol.
Fizemos amizade com um dono de restaurante, que aluga cabines no verão. O lugar é tão sofisticado que o topless nem é notado! Os pescadores, proprietários de restaurantes e barqueiros, não se espantam, quando dizemos que no Brasil não tem disso não!
Fomos a Ana Capri, cidadezinha situada no alto de um morro. Pegamos dali outro pulmino e fomos até a Gruta Azul, mas não entramos porque o tempo não estava bom. À noite, fomos ao cinema, onde assistimos ao filme Le Pettomane, com Ugo Tognazzi. O filme retrata a vida de Joseph Pujol, um tipo raro que tinha um distúrbio nos músculos intestinais e não conseguia reter seus gazes...
Em nosso retorno, passamos por Pompéia e fizemos amizade com torineses muito simpáticos. Voltamos domingo para Roma, onde fomos jantar com o professor Franco Gallo e esposa.
Em nosso último dia em Roma, segunda-feira, compramos perfumes, chocolates e vinhos. Almoçamos regiamente na Trattoria Madalena perto da Piazza Navona. Pegamos avião às 23,20 horas. Antes, telefonamos aos nossos amigos de Parma, para nos despedir. Nossos amigos, Paolla e Gallo, foram nos levar ao aeroporto.
Da Redação
A pintura que ilustra esta página do Pio pertence a um dos redatores deste tabloide e é somente uma demonstração de um dos trabalhos artístico de Josinaldo Ferreira Barbosa, que nasceu na cidade baiana de Remanso, BA, viveu nas cidades de Pirapora, MG, e vive atualmente em Presidente Epitácio.
A sua vocação artística chegou como decorrência de sua vida errante, ligada às águas, barcos e populações ribeirinhas, como a retratada nesta pintura. Por volta de 1972 participou em São Paulo, do Movimento de Arte Popular, na praça da República, onde granjeou o relacionamento com outros artistas plásticos e participando da 1ª Exposição individual na Galeria KLM, em São Paulo.
Desde então, em 1978, participou de exposições coletivas e individuais temática fluvial, visitando Caracas, na Venezuela, sendo certo que em 1979 viajou a Nova York onde visitou museus, galerias de arte, voltando para nosso país onde se fixou na cidade de Pres. Epitácio,, às margens do rio Paraná.
Em 2005 expôs em Berlim, na Alemanha, sob os cuidados da curadora e socióloga venceslauense Maria Angela D´Incao. De resto, participou de inúmeras exposições coletivas em todo país. Homenagem deste tabloide a um dos mais destacados pintores da nossa região!
Zelmo Denari
Depois dos 80 anos, à guisa do que fazer e para alegrar os últimos dias de um prudentino que, desde sua infância, foi motivado pelo pai a ser um advogado, quem sabe um jurista! – este escriba houve por bem alimentar os pássaros, no mais das vezes, rolinhas, que costumam ciscar no gramado defronte à sua casa.
E foi assim que, todos os dias de manhã, acostumou-se à rotina de jogar quirela de milho para os pássaros, no mais das vezes pequenas rolinhas e pássaros-pretos que se alimentam no referido espaço.
Deu-se, então, que, além das rolinhas e dos eventuais pássaros-pretos que, em criança, toda a meninada chamava de passo-preto, os canários da terra também passaram a frequentar o local. .
No entanto, o mais divertido é observar o comportamento das rolinhas-macho. Sem a maior cerimônia esses esfaimados, deixam de se alimentar para travar uma disputa com os demais machos da parada e não se aquietam, enquanto não expulsarem seus opositores!
Debalde, este escriba tentou sossegar o facho dos pássaros-machos, pois os mesmos não sossegam enquanto os demais continuam no páreo!
Este simples fato demonstra que, neste mundo, a disputa pelo sexo oposto não é privilégio da humana-gente, pois será sempre uma das características mais marcantes dos habitantes deste planeta, sejam eles insetos, pássaros ou mamíferos, ou simples humanos, dotados do atributo da racionalidade, privilégio exclusivo de nossa espécie!
De certo modo, isto explica por que razão os machos ( genericamente falando ) passam boa parte de suas existências se digladiando pelas beldades do sexo oposto, embora nem sempre vitoriosos...
Bem observados, trata-se de um privilégio dos seres humanos que habitam este planeta, os quais, no confronto com os demais, são os únicos que sabem, que aqui chegaram por simples processo evolutivo da nossa espécie!
Por último, o leitor deste tabloide já pensou o que seria deste mundo, se as demais espécies terrestres, fossem dotadas de racionalidade e pudessem trocar figurinhas, assim como se dá com a humana gente?
Com certeza, diante de tantos sofrimentos e desgraças experimentados em suas vidas, iriam se rebelar contra a espécie humana, até porque, vitimados por esta, vivem e morrem sem saber a que vieram, neste mundo, predestinados, no mais das vezes, a servirem de simples alimentos aos seus senhores! E como são gulosos!
Da Redação
Diz a lenda que, logo que Santo Ivo morreu, foi até o Céu e bateu à porta. No entanto, São Pedro não se atreveu a abrir, subestimando as razões invocadas pelo bom santo. Indagado por que razão não permitiu a entrada do bom Santo, afirmou:
– Não posso permitir a entrada de um advogado no céu, tendo presente que todos os de tua profissão não tem assento neste reduto!
Santo Ivo não se desconcertou. Antes, como bom advogado, rebateu os argumentos de São Pedro com razões tão convincentes que este, finalmente, permitiu que Santo Ivo entrasse no céu, somente com uma condição: deveria permanecer junto à porta, para evitas tumultos!
O novo hóspede entrou calmamente, sentou-se no lugar indicado por São Pedro, que foi participar ao Senhor o sucedido.
A divindade, então, com a habitual fleuma, disse:
– Fizeste muito mal, Pedro! Eu já tinha resolvido que nenhum advogado entraria no reino do céu, pois tinha muitas razões para pensar desta maneira! No entanto, já que está, deixa ficar! De todo modo, não deixes que ele se misture com outros santos, pois, do contrário, ele poderia acabar com a paz e a boa harmonia no céu! Assim sendo, não o deixes passar além da porta!
São Pedro, então, aborrecido, comunicou ao advogado Santo Ivo as ordens dadas pelo Senhor, entabulando com o mesmo a seguinte conversa:
– Então, que posto você ocupa aqui no céu?
– Sou porteiro...
– Desde quando?
– Desde sempre...
– Como assim? Você é muito ingênuo, disse o advogado. Não sabe que, sem contrato firmado, você pode ser destituído a qualquer momento?
São Pedro, então, coçou as orelhas e mais amofinado que antes, foi falar novamente com Deus.
– Divindade: preciso de um contrato em que se declare que sou o porteiro do céu para todo o sempre!
A Divindade, então respondeu:
– Não te dizia eu! Tudo isso são trapaças daquele advogadinho que tens na porta e que soube de encher a cabeça! Por esta razão, anda Pedro, corre e manda-o entrar imediatamente, pois prefiro tê-lo diante de mim a vê-lo junto à porta de entrada, no paraíso!
Zelmo Denari
Uma das reminiscências mais presentes na memória deste escriba, se reporta à sua infância na cidade de Pres. Bernardes.
O mais interessante é que a mesma não diz respeito à sua pessoa, mas à pessoa do seu falecido irmão chamado Leonildo, ex-prefeito de da referida cidade, mais conhecido pelo apelido de Tilô, e que se reporta aos tempos de sua infância. .
Todas os fins de semana, durante a tarde, Tilô e seu amigo Haruô Inague, saíam para pescar num dos córregos que margeavam a cidade, conhecido como córrego do Puglia.
Um belo dia, deu-se então, que depois de voltar para casa, após uma atribulada tarde de pescaria, seu amiguinho Haruô se dirigiu à sua mãe, inconformado, repetindo as seguintes palavras:
– Mãe, eu não vou mais pescar com o Tilô!
Diante da surpresa da mãe, ele explicou as razões de sua decisão:
– Ouça e diga se não estou coberto de razão: o Tilô tem nojo de pegar a minhoca, cortá-la ao meio com os dedos e, depois, colocar sua metade no anzol! Assim sendo, cada vez que um peixe subtrai uma minhoca de sua vara de pesca, ele fica repetindo a mesma cantilena:
– Põe minhoca, Haruô! Põe minhoca!
Sua mãe, inconformada, indagou por que razão seu amiguinho se recusava colocar a minhoca no anzol, e ele explicou:
– É fácil entender, mãe: é que o Tilô tem nojo de cortar a minhoca com os dedos! E quer saber de outra coisa? A continuar assim, eu não vou mais pescar com alguém que fica o tempo todo repetindo:
– Põe minhoca, Haruô! Põe minhoca!
E foi assim que teve desfecho o capítulo das pescarias dos amiguinhos bernardenses Tilô e Haruô!
Zelmo Denari
Os italianos, quando fazem referência à chegada da velhice, costumam usar uma expressão muito frequente na Itália, e que lá ouvi, com muita frequência, naqueles tempos em que este escriba escolheu o referido país, para cumprir o seu curso de pós-graduação, na especialização em Direito Tributário.
Nunca é demais dizer que a cidade escolhida foi Parma, no norte da Itália, onde residiu, por cerca de um ano, com sua esposa e respectivas filhas, tendo, posteriormente, transferido sua residência para o vizinho balneário de Salsomagiore Therme
Foi naquele país, de seus antepassados, que ouviu, pela primeira vez, a expressão italiana la vechiaia è bruta, a significar que a velhice, esta malvada, quando chega, sempre nos traz muitos aborrecimentos...
Este escriba pode afirmar – referindo-se naturalmente à velhice – que conheceu-a no Brasil, no estágio atual de sua vivência em nosso país e, por esta razão, pode, também, afirmar que os italianos estavam cobertos de razão!
A velhice, realmente, não é algo que se possa recomendar a nenhum dos nossos leitores, pois a mesma vem acompanhada das mais variadas dores, inclusive daquela que, no caso deste escriba, se aninhou em suas nádegas, quando queremos nos referir à parte carnuda ínfero-posterior, acima da coxa...
Muito bem! Este escriba tem um velho amigo que já foi farmacêutico e que, por esta razão, sabe debelar todos os males que possam afligir a humana gente e, por esta razão, foi consultado sobre a moléstia que afligia a minha saúde!
Foi então que, do alto de sua sabedoria, ao se despedir deste escriba disse, pura e simplesmente, as seguintes palavras:
– Velho companheiro, quando você padece de um mal que lhe causa aborrecimentos e ao qual não pode pôr cobro, o melhor a fazer é cantar um tango!
Zelmo Denari
Dia destes, já havia dado fecho ao Pio-Pardo e, por esta razão, estava sentado na varanda de minha casa, observando tudo o que poderia ser observado naquela manhã primaveril, quando surgiu no horizonte dos meus olhos, uma mulher pobre saindo do condomínio onde moro, carregando uma criança no colo.
Foi então que fiquei indagando: quem seria aquela mulher vestida de preto, carregando aquela criança de colo? Logo, dei-me conta de que se tratava, pura e simplesmente, de uma mulher pobre!
Por que pobre – indagaria o leitor surpreso? Muito simples: fora rica e abonada, não estaria saindo do condomínio com uma criança no colo! Estaria dirigindo algum veículo, melhor ainda, sendo conduzida para algum destino fora do condomínio!
Foi então que surgiu – no horizonte de minhas conjecturas – que a desigualdade social é uma pecha fadada a existir em nosso mundo até a consumação dos séculos! Sempre haverá mães entrando ou saindo dos condomínios da vida, carregando suas crianças em carros da mais alta linhagem, além das que o fazem carregando nos braços seus próprios rebentos !
Fui além, em minhas indagações: a mulher em causa seria pobre ou rica? No entanto, logo percebi que se tratava de uma dúvida estúpida, pois se fora rica, não estaria saindo do condomínio com uma criança no colo!
Logo depois, prossegui um pouco mais, meditando por que razão o mundo era habitado por seres das mais diversas linhagens: alguns, nadando em dinheiro, espairecendo por céus, mares, montanhas e prados ( como dizia Almeida Garret, em sua obra Camões , enquanto outros só o fazem em busca de um futuro mais promissor para si ou sua prole!
E foi assim que, para o bem ou para o mal, dei fim a esta crônica, torcendo para que o mundo possa se libertar das mulheres que caminham por este mundo, sem destino...
*A escultura “El Esfuerzo” (O Esforço), também chamada de “La Carga” (O Fardo), está localizada em Barcelona, na Carrer de la Princesa, próxima à Via Laietana, e é obra do artista Jaume Plensa.