De repente, caiu nas mãos deste escriba o livro O Brasil Que Os Europeus Encontraram, de autoria das historiadoras Laima Mesgravis e Carla Bassanezi, que revela aspectos poucos comentados por nossos historiadores e que se remetem aos costumes dos nossos indígenas, ao tempo do descobrimento.
De sua leitura aprendemos que o território costeiro era praticamente dominado pelos índios tupis, que ocupavam a faixa litorânea desde Iguape até a costa do Ceará, e os guaranis a bacia Paraná-Paraguai, desde a Lagoa dos Patos até Cananéia, em São Paulo. Assim sendo, todo o território costeiro de nosso país era praticamente habitado pelos tupi-guaranis ( do Rio Amazonas ao atual Rio Grande do Sul ), a não ser, em alguns pontos, ocupados pelos tapuias!
De todo modo, a língua geral sempre foi a língua tupi, logo compreendida pelos portugueses na época do descobrimento. Em direção ao sul do país, dominando o recôncavo baiano, habitavam os tupinambás – que foram hostis aos portugueses – que se revoltaram pelos maus tratos recebidos e, finalmente, foram dizimados!
De São Vicente, até o sul do país viviam os guaranis, que se espalhavam até o Paraguai. Apesar de terem resistido à conquista portuguesa, nas guerras em que morreram os missionários jesuítas, foram muito elogiados por estes, porque eram os únicos que não comiam carne humana!
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Por outro lado, a catequese dos carijós foi o grande sonho não realizado pelo padre Manuel da Nóbrega, que durante 20 anos tentou convencer seus superiores, das vantagens que se poderiam extrair dessa empreitada!
Fernão Cardim registrou a existência de 76 nações indígenas, com línguas e costumes diversos em nosso país. A maior parte dos tapuias, por exemplo, não utilizava arcos e flechas como armas, nem praticava a agricultura!
Quanto à antropofagia, segundo o mesmo historiador, a maioria das nações indígenas não a praticava, muito embora fossem belicosos, utilizando táticas guerreiras muito eficientes e difíceis de serem enfrentadas pelos portugueses!
Por último, é bom saber que franceses e portugueses disputavam nossas terras por conta dos interesses comerciais e geopolíticos. Sem contar que os franceses não tinham o menor interesse em escravizar os índios, pois só se interessavam pelo pau-brasil, pagando bem a madeira colhida com armas de ferro!
Por outro lado, o escambo praticado pelos franceses não provocava choque com os índios, ao contrário dos portugueses que, devido o interesse pela produção do açúcar, tentavam se apropriar da força de trabalho dos indígenas!
Não à toa, num diálogo com os franceses, um velho indígena tupinambá proferiu as seguintes palavras: “agora vejo que vocês mairs ( nome dado pelos tupinambás aos franceses ) são loucos, pois atravessam o mar e sofrem muitos incômodos, somente para aumentar as riquezas dos teus filhos! Por acaso, a Terra, que nutriu todos vocês, não será suficiente para alimentar também os teus filhos?
O livro de Laima Mesgravis e Carla Bassanezi Pinsky sobre a colonização portuguesa do nosso país, após a sua descoberta, vem retratada com toda realidade e crueldade pelas referidas escritoras no pequeno livreto “ O Brasil que os europeus encontraram”, editado no ano de 2021 pela Editora Contexto.
Dele se extrai que a colonização portuguesa no Brasil deu-se à custa da escravização dos indígenas nos idos de 1.500, algo jamais relatado em nossas escolas públicas. Dele se extrai, ainda, que foi com os índios que habitavam nosso país que os europeus aprenderam a caçar e pescar nas matas e rios brasileiros, colhendo a mandioca, o milho, o fumo e a batata-doce e alimentando-se de animais exóticos!
Assim sendo, os europeus se serviram dos nossos indígenas como instrumento de apropriação dos recursos naturais, sendo certo que, nos primeiros contatos, no início da colonização, os mesmos atuaram na extração do pau-brasil e de outros produtos desejados pelos europeus, fornecendo alimentos, animais e peles aos aventureiros navegantes, missionários e seus colonos.
De resto, foi com os saberes indígenas que os portugueses puderam desbravar o litoral e os sertões! A habilidade e a força dos indígenas brasileiros os tornavam muito úteis para desbravar o litoral e os sertões. A habilidade e a força dos gentios foram úteis para os colonos, pois se revelavam grandes remadores e hábeis no manejo dos barcos à vela!
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Assim sendo, quando retornavam ao velho continente europeu, os lusitanos, enchiam seus navios de pau-brasil, além de animais exóticos, como os papagaios, macacos e peles, além dos indígenas escravizados! À cada viagem dezenas de indígenas eram levados à força como escravos, para serem vendidos nos mercados europeus!
Por sua vez, os indígenas ofereciam os produtos da terra em troca de facas, foices, tesouras, roupas e chapéus velhos. Os artefatos de metal eram especialmente atraentes aos índios, para abrir clareiras nas matas, matar animais, destrinchar carne, cavar o solo, segar o milho, bem como, construir habitações e canoas!
E foi assim que tiveram início as incursões ilegais de franceses no litoral brasileiro. Os franceses roubavam os navios portugueses, estabelecendo relações amistosas com os índios!
Finalmente, nos idos de 1584, os franceses foram expulsos do nosso país, pois os portugueses reforçavam seu domínio sobre as terras brasileiras. Logo depois, os mesmos resolveram utilizar-se de escravos indígenas em suas plantações e engenhos. E foi assim que, com o sucesso e a expansão da economia açucareira, os portugueses passaram a escravizar tanto os índios rebeldes e hostis quanto os aliados! E foi assim também que, em grande desvantagem diante das armas lusitanas, as populações indígenas perderam o controle do litoral, fugindo para o interior!
No final do século XVI, nossos indígenas já não eram os senhores do litoral e a produção colonial do nosso país era feita basicamente à custa de índios escravizados! Algo que não se aprende nas escolas...
Da redação
O teatro no Brasil e no mundo enfrenta desafios de reinvenção pós-pandemia, lidando com altos custos de produção, ingressos caros e a concorrência de novas mídias. No Brasil, busca-se popularizar a arte e superar a dependência de patrocínios, enquanto se diversifica com performances híbridas e experimentações tecnológicas, focando em temas sociais contemporâneos.
Histórico: Iniciou no século XVI com jesuítas para catequização, evoluindo no século XIX com comédias de costumes e se modernizando a partir da década de 1940 com o TBC e o Teatro de Arena, tornando-se espaço de resistência política.
Atualidade: Enfrenta uma crise de disponibilidade de pautas e custos elevados, forçando a produção a depender de leis de incentivo. Há um esforço contínuo para diversificar os temas, abordando gênero, raça e meio ambiente.
No mundo: é bom saber que o teatro caminha a passos rápidos para o seu desaparecimento, fato este que constitui uma das maiores perdas capazes de enriquecer o conhecimento da humana gente.
Evolução:
Surgiu na Grécia Antiga (séc. IV a.C.) para celebrações de Dionísio.
Evoluiu do drama romano para o teatro contemporâneo, passando por diversas formas de arte engajada e experimental.
Tendências:
Hibridismo (mistura com cinema e redes sociais) e o uso de novas tecnologias no palco são os principais destaques, buscando atrair públicos mais jovens e diversos.
Desafios Comuns
Econômicos: aumento do custo de produção e necessidade de ingressos mais acessíveis, com formas de entretenimento rápidas e necessidade de conexão social.
Culturais: decréscimo do processo cultural da população em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Zelmo Denari
Quando as naus de Cabral chegaram ao Brasil, no ano de 1.500, repletas de jesuítas, um dos maiores impactos sentidos pelos navegadores portugueses foi o de estranhar por que razão Deus havia colocado naquela terra homens semelhantes às feras, que viviam nus, em manadas, pelos campos verdejantes e florestas, sem nenhuma restrição da natureza!
A pobreza e a bestialidade dos indígenas brasileiros eram tamanhas que os portugueses alimentaram a crença de que os mesmos não pertenciam à espécie humana, como relatou o jesuíta Simão de Vasconcelos, que ficou perplexo diante dos mesmos.
Suas moradas eram as mais estranhas possíveis, pois uns moravam nos campos e outros nos montes, segundo os tempos do ano, sem afeição alguma com os demais moradores daquelas terras!
Por esta razão, foi fácil para o jesuíta em questão concluir que parecia verdadeira a crença de que nossos indígenas não pertenciam à espécie humana, pois o jesuíta Simão era um armador de ciladas, comedor de carne humana, sem Deus, sem lei, sem pátria, um selvagem desumano e comedor dos próprios filhos, quando derrotados!
Por estas razões, desenvolveu a teoria de que o índio que vive nos ermos, afastados dos outros, pode perder a racionalidade e se assemelhar aos animais! Mas felizmente também comprovou, em diversos exemplos, que se o mesmo for retirado das florestas e educado entre os povos civilizados pode desenvolver a inteligência perdida!
De todo modo, os jesuítas também acreditavam que os indígenas, apesar de terem perdido o conhecimento de Deus, poderiam ser recuperados pelo ensino paciente e pela submissão às leis da humana gente...
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Os padres explicavam que, não tendo conhecimento da divindade, os índios não poderiam ser considerados pecadores, mas apenas infratores de leis naturais, quando cometiam os seus crimes.
Não bastasse, a lenda indígena de Sumé, figura mitológica de um homem de barbas brancas que teria ensinado coisas úteis aos índios, inclusive o cultivo da mandioca, base da respectiva alimentação. Os portugueses, descobridores das Américas, logo se deram conta de o homem de barba branca era o apóstolo São Tomé, o qual, em suas jornadas, teria passado pelas Américas.
Desde então, no plano religioso, os índios foram incluídos na história da Redenção, reconhecida inclusive por uma bula do papa Paulo III, nos idos de 1737!
Nesse documento, o papa repudiou a teoria de que os índios da América não eram humanos, devendo os mesmos ser atraídos e convidados à dita fé cristã, através da pregação da palavra divina.
No entanto, tratava-se de um ledo engano, pois em escrita redigida a Tomé de Sousa em 1549, o padre Manoel da Nóbrega se queixava que os colonos portugueses não queriam sujeitar os gentios, para que conhecessem Cristo, mas sim para roubá-los, bem como suas roças, seus filhos, suas filhas e suas mulheres! Ora direis!
Zelmo Denari
Tiradentes foi enforcado a 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa*, Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado e sua cabeça erguida em um poste em Vila Rica. Não bastasse, arrasaram a casa em que morava e declararam infames todos os seus descendentes!
Indagação que não quer calar: por que razão os portugueses foram tão infamantes com a vida de Tiradentes, sendo o único a ser enforcado e esquartejado no dia nacional 21 de abril de 1972.
A ideia inicial do movimento era assassinar o governador de Minas Gerais e declarar a independência da capitania do poder português, sendo certo que Tiradentes tinha um papel de liderança no grupo. Do referido movimento participaram religiosos, militares, comerciantes, e até poetas, como Cláudio Manuel da Costa, Antonio Tomas Gonzaga e Inácio José de Alvarenga Peixoto.
Porém, o movimento não chegou a ser colocado em prática: antes de qualquer ação, eles foram denunciados por um membro do grupo, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, que ficou marcado até hoje, com seu nome relacionado à traição de um ideário!
De todo modo, se muitos dos envolvidos foram presos e condenados, apenas Tiradentes – por ser o líder inconteste do grupo libertário – foi executado por enforcamento!
A morte de Marilyn Monroe em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, foi oficialmente classificada como provável suicídio, mas permanece envolta em mistérios e teorias da conspiração. Encontrada em sua casa em Los Angeles, a falta de vestígios de remédios no estômago, o sumiço de evidências e o suposto envolvimento com os irmãos Kennedy geram dúvidas sobre assassinato ou encobrimento.
Um dos legistas concluiu que a famosa atriz morreu por overdose de pílulas. No entanto, o corpo foi encontrado esticado, sem sinais de convulsões ou vômito. O legista Thomas Noguchi concluiu que a morte se deu por overdose de pílulas, tendo presente os frascos encontrados à sua volta.
No entanto, os relatos são tão conflitantes que alimentam teorias por mais de 60 anos! O corpo foi encontrado esticado, sem sinais de convulsão ou vômito, e não havia água ou copos próximos para ingerir os remédios, o que levantou suspeitas de manipulação.
No entanto, alude-se ao seu relacionamento com o presidente John Kennedy e seu irmão Robert Kennedy, sendo certo que Marilyn sofria de problemas emocionais, decorrentes de sua infância traumática, circunstância esta que sustentou a hipótese de suicídio.
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Até porque seu corpo foi encontrado esticado, sem sinais de convulsão ou vômito, e não havia água ou copos próximos para ingerir os remédios. Embora a polícia tenha concluído tratar-se de suicídio devido ao histórico. A falta de uma carta de despedida e inconsistências na cena — como a ausência de vestígios de pílulas no estômago, apesar da alta dosagem no sangue e fígado — geraram teorias de conspiração por décadas!
De todo modo, há aqueles que sustentam que o principal fator do suposto suicídio, foi que Marilyn, diagnosticada com esquizofrenia paranoide limítrofe, temia herdar a doença mental de sua mãe, o que lhe gerava uma grande angústia.
De todo modo, como já revelou o jornalista Ruy Castro ( V. edição da Folha de12 de abril ) não foi por amor que lhe faltou, pois teve a seus pés, perdidamente apaixonado, um considerável aglomerado, que costumamos chamar de mundo! Réquien para Marilyn...